quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Com licença

Calor de quase quarenta graus
Num ônibus lotado de uma manha de sol
Entre-ouvidos: burburinhos de uns prédios que haviam caído
Correndo contra os ponteiros do relógio
Onde as horas passam mais rápido que se imagina
Como é o mundo hoje, perdem-se a noção de tempo
Quando estou com ela não há tempo no mundo
Que corra como corremos, como nos abraçamos
Às vezes lentamente e outras vezes rapidamente
Mas o tempo só é sentido se for o sentido da existência
Com ela transformo meu tempo em paciência
Em perseverança e amor,
assim, escrito em verso e prosa
Só aqueles que possuem os versos na ponta da lingua
Aqueles, permitidos pela livre expressão poética
De uma licença poética que abarca todos os horizontes
Pois bem, agora peço licença para amar

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Abraços


Quando a chuva cai
Só penso nos abraços
que poderia ter dado
Nas palavras
que poderiam ser ditas
Nas poesias
que poderiam ser declamadas
Nos sentimentos
que poderiam ser mostrados
Mas na realidade
se o tempo já passou
se a chuva já caiu
e a tempestade desmoronou
Quebre o gelo:
Abrace,
Declame
Mostre
pois o momento é agora
pois o que é dito
é sabido, é consentido
é revertido e transforma

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A escolha

A vida é feita de escolhas
São elas que guiam nossa atenção
Se a teoria nos move para o que devemos observar
São as escolhas que permitem o nosso caminhar
Quando começamos a caminhar chegamos em algum lugar:
Seja no fundo do poço ou no topo da montanha
Seja num mundo desconhecido
desbravando terras e mares
ou num breve lugar comum,
Onde muitos passam em vão
Caminhar é preciso e
Escolher é necessário.
Antes de perguntarmos: qual é o seu caminho?
Devemos perguntar: qual é a sua escolha?

domingo, 17 de abril de 2011

O testemunho do espectador

Bravo espectador
Sem se envolver conhece os atos
e nuances, perdidos por acaso.

Do que valhe o fato
de que o princípio era o verbo,
Sem quem observar

Fato consumado,
O set de nossas sublimes vidas
Está preparado no palco

Somos aqueles que observamos
Calados, sentados na primeira fila
às nossas andanças e nomadismos

vívidos ou perdidos
mas sem o envolvimento,
sem a expectativa

Somos aqueles que testemunham
Desapegadamente
Como espectadores da vida.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A necessidade

Necessito de ar
Necessito de palavras
Necessito dançar
Ou apenas um ás
Necessito falar
Sem palavras
Me enrolar
Em versos iguais
Ou até migrar
Um pouco mais
Assim, amar
Necessito de lilás
Cor e um pouco de mar
Com plurais
Me deixe nadar

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Tempo

Correm os tempos, doces e serenos
quanto os segundos, tão lentamente
como é possível acreditar
no tempo do silêncio

Pois correm os minutos, os segundos
Os dias e os abraços permanentes
Só através do tempo pode-se contar
com os alicertes do ser vivente

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O homem-ovo

Salvador Dali - O Ovo

O homem ovo com suas liberdades

escolhe entre o bem e o mal
Escolhe entre as dualidades
Mal sabe que é o tal

Quebre o ovo
Só assim você conseguirá ver
Que o povo
Não consegue ser

Quebre o ovo e abra as asas
Nós vamos aprender a voar
Tal como as massas
Vão quebrar.

Quebre o ovo
Pois a verdade vai além
Das dualidades do povo
Que se sente 'bem' aquém

O quão ignorante
O homem-ovo se acha no domínio
De todas as funções de antes
e depois se considera um cínico

Se prende a uma solidão
Inoperante e insígnia
Como sinal de ser bom
Ou um ego incapaz

De ver através da dualidade
de ver além
Onde encontra a verdade
Não em dicotomias redundantes

Quebre o ovo
Pois o mundo é maior
Que próprio povo
considera o valor